 |
| |
YOGA NÃO É
GINÁSTICA
Para o bem de todos aqueles que buscam o yoga autêntico,
transcrevemos relevante artigo do Prof. André Van Lysebeth,
com quem o PROF FRANCISCO COSMELLI fez um dos seus cursos de formação
de professor de Yoga na Bélgica e Suíça,
publicado em sua revista " YOGA " nº 278 ( nov
/ dez 1997 ) sob o mesmo título acima: " Em recente
revista ( nº 263 ), publiquei um artigo concernente à
imobilidade no yoga. Se volto a este assunto é porque vejo,
às vezes, a prática de posturas em seqüência
contínua, sem a mínima imobilidade, nem mesmo de
alguns segundos. Fico desolado ao confirmar isso, pois trata-se
de tudo, mas não de yoga!
A IMOBILIDADE IMPOSTA PELA FISIOLOGIA
O fato de os grandes yogis da antigüidade terem descoberto
a importância essencial da imobilidade, especialmente no
plano fisiológico, é um traço de genialidade
! É somente graças às descobertas da anatomia
e fisiologia modernas que podemos explicá-la, compreendê-la
e apreciá-la.
Para isso, devemo-nos lembrar que o nosso corpo é comandado
pelo sistema nervoso, o qual é dividido pela nossa ciência
em sistema nervoso voluntário, de uma parte, e, de outra,
em sistema nervoso autônomo, o qual comanda os nossos órgãos,
e que foge à nossa vontade.
MUITO TEMPO PARA REAÇÃO
Vejamos o que acontece então com os nossos movimentos voluntários.
Uma ordem parte do cérebro, viaja ao longo do nervo motor
e chega ao músculo, o qual executa instantaneamente a ordem:
o músculo se contrai. É essencial para nossa sobrevivência.
Se, ao ver-se uma grande pedra se desgarrar do lado da montanha
e vir em nossa direção, e se fossem necessários
vários segundos para que fosse executada a ordem dada aos
músculos para nos desviarmos de sua trajetória,
logo seríamos informados sobre o assunto reencarnação...
Para assegurar a rapidez, o nervo está diretamente ligado
ao músculo pelo que se chama de placa motora ( ver ilustração
). Aqui, o tempo de reação ( ou cronaxia ) se mede
em centésimos de segundos.
A PLACA MOTORA
Esta ilustração mostra como os nervos motores e
os músculos estão intimamente interconectados, a
fim de que as ordens provenientes do cérebro sejam imediatamente
executadas. Tal ligação direta não existe
para as vísceras, cujas reações são,
na realidade, infinitamente mais lentas.
Ao contrário, para o sistema nervoso autônomo, aquele
que dirige a vida vegetativa, os nervos que comandam os diversos
órgãos e glândulas não estão
em contato direto com o órgão, mas terminam a uma
certa distância do mesmo. Então, a partir das terminações
nervosas, um produto químico é emitido ( um neurotransmissor,
adrenalina ou acetilcolina, dependendo de acelerar o movimento
do órgão ou, ao contrário, de desacelerá-lo
). E isto leva vários segundos, portanto centenas de vezes
mais tempo do que para os músculos voluntários.
Por que razão? Para proteger nossa saúde e para
nosso conforto de vida. Se os órgãos reagissem ao
menor impulso, a vida seria uma cacofonia orgânica. Se eu
mexer com minha coluna vertebral e, em assim agindo sobre um nervo
comandando um órgão que obedece imediatamente, já
se pode imaginar o que aconteceria: a vida se tornaria impossível!
Assim, os tempos de reação muito longos protegem
nossos órgãos contra os impulsos intempestivos e
múltiplos, acavalando-se ou se contradizendo uns aos outros.
Em duas palavras: para a vida de relação, envolvendo
os músculos voluntários, reações quase
instantâneas se impõem. Para a vida vegetativa, ao
contrário, os tempos de reação, ultrapassando
os longos tempos da imobilidade que encontramos na vida corrente,
nos protegem.
Ora, as asanas - e lá está sua diferença
essencial com relação à ginástica
e aos esportes -, visam mais aos órgãos do que os
músculos. Portanto, em virtude da regra do tudo ou nada,
se eu não permanecer alguns segundos em imobilidade, não
se produz qualquer reação da parte de um órgão
seja ele qual for. Mas, depois de uma permanência de alguns
segundos, cada segundo de imobilidade suplementar redunda em benefício
certo, portanto intensifica e/ou prolonga a reação!
Assim, quanto mais longamente se permanecer imóvel, mais
profundos e duráveis serão os efeitos benéficos
das posturas.
De outra forma dito, se não houver imobilidade, nada mais
haverá do que resultados musculares, o que não é
necessariamente nefasto, mas, em todo caso, essa falta de imobilidade
não se enquadra com os objetivos do yoga! Concluindo, 1º
a fisiologia confirma a intuição genial dos grandes
yogis da antiguidade; 2º se não nos imobilizamos,
mesmo se as atitudes que assumimos levem o nome de yoga, não
fazemos yoga. Pode-se, talvez, impressionar a assistência,
nada mais!
Esses esclarecimentos são não só úteis
para a nossa prática, mas também para explicar aos
não-praticantes de yoga quando nos perguntam em que diferem
o yoga e a ginástica: temos a resposta que nos dão
a anatomia e a fisiologia.
No campo da respiração, sem retenção
da respiração, seja com os pulmões vazios,
seja com os pulmões cheios ou os dois (nem totalmente cheios,
nem o mais completamente vazios), não há pranayama!
Sem o cessar da mente, não há o yoga de Patanjali.
A que serviria fazer tratak durante um segundo ao invés
de fixar o olhar durante um minuto ou mais? Da mesma forma, se
não há retenção do esperma, não
há tantra! Tudo isso completa meu artigo precedente e acerta
os ponteiros do relógio. Dispomos, assim, de um meio simples
e fácil de determinar se tal método é yoga
ou não. E os dados fisiológicos acima citados, embora
ultra-esquematizados, são suficientes, incontestáveis,
não sujeitos a qualquer discussão. Aliás,
na Índia, encontrando-me certa ocasião na presença
de um yogi, ao lhe perguntar durante quanto tempo precisaria me
manter em tal e tal postura, ele me respondeu "As long as
you can", tão longamente quanto você puder.
É claro, indiscutível.
Então, boa imobilidade no yoga, e se beneficie plenamente
das posturas, do pranayama e dos exercícios de meditação.
André Van Lysebeth
A IMPORTÂNCIA DA DUCHA NASAL NA
PREVENÇÃO DE DOENÇAS
A TÉCNICA DO JALA NETI
Várias técnicas têm sido utilizadas para a
higiene das fossas nasais. O yogis da Índia antiga utilizavam
simplesmente água pura dos rios na concha das mãos,
a qual aspiravam pelas narinas. Com o passar do tempo, métodos
mais elaborados foram postos em uso e, atualmente, o que nos parece
mais fácil, prático e eficiente é a utilização
de um recipiente com um bico especial em forma de cone, que os
indianos chamam de lota, tornando a execução muito
mais simples. O cone tem as dimensões e o formato anatômico
ideais para uma perfeita aderência à narina. |
| |
 |
O
ângulo de inclinação da cabeça
é importante. O bico da lota deve
aderir bem à narina. A água deve
correr por si, naturalmente. |
|
| |
Enche-se a lota com água ligeiramente
salgada ( uma colherinha de chá rasa para uma lota cheia
de água ). Alguns yogis recomendam água tão
quente quanto o aluno possa suportar; outros utilizam a água
na temperatura ambiente ou mesmo fria. Cada procedimento tem suas
vantagens: a água quente solta melhor e mais rápido
as mucosidades que aderem às narinas, enquanto que a água
fria torna a membrana mais resistente, tonificando-a. Cada um pode
escolher segundo as suas preferências. A quantidade de sal
também pode variar ligeiramente, conforme a sensibilidade
de cada pessoa.
Introduz-se o bico da lota na narina esquerda, por exemplo, inclinando
a cabeça para a direita, deixando a água entrar no
nariz. A água escorre naturalmente pela outra narina, sem
qualquer esforço. É preciso fazer aderir bem o bico
da lota à narina, a fim de que não penetre ar junto
com a água. |
| |
Repita
a mesma operação do outro lado.
|

|
|
| |
IMPORTANTE:
Durante todo o tempo, enquanto a água escorre pela narina,
a boca deve ser conservada aberta para assegurar a respiração.
Deixe que todo o conteúdo da lota escorra para depois recomeçar
pela outra narina, com a lota novamente cheia de água ligeiramente
salgada. A água salgada não produz qualquer sensação
desagradável; serve apenas para manter o equilíbrio
osmótico. A água não deve escorrer para a garganta.
Se isto acontecer, é sinal que o ângulo de inclinação
da cabeça não está correto. NÃO utilize
água SEM SAL, para evitar qualquer sensação
de ardência ou dor. A SECAGEM
É importante secar bem as narinas e os cornetos nasais
depois do JALA NETI. A secagem faz-se por ventilação.
De pé, incline o busto para a frente, segurando o pulso direto
com a mão esquerda, atrás das costas. Expire com força
pelas duas narinas, erguendo a cabeça, depois inclinando-a
para baixo, em seguida para a direita e para a esquerda. Cada mudança
de posição da cabeça é seguida por uma
expiração vigorosa e rápida. Continue a expirar
com força, movimentando a cabeça para cima, para baixo,
para a direita e para a esquerda por um minuto ou mais, até
a secagem completa das narinas.
A secagem das narinas é muito importante. Expire com força
pelas duas narinas. |
| |
| |

(1)
Levantando a cabeça. |

(2)
Abaixando-a. |
| |

(3)
Virando-a para a direita. |

(4)
E para a esquerda. |
| |
|
| |
EFEITOS ESPECÍFICOS
"A prática da ducha nasal purifica os seios da
face ( sinus ), revigora o cérebro e melhora a vista."
Hathayogapradipikã, II, 30.
Hoje em dia, parece se dar mais importância ao embelezamento
externo do nariz do que propriamente à sua higiene interna
para um melhor desempenho de suas funções. Entretanto,
um maior cuidado deveria ser dispensado ao nariz - o principal órgão
externo que funciona até o ultimo instante de vida do nosso
corpo. Com a limpeza diária das fossas nasais, evitaremos
a sua obstrução, teremos uma melhor respiração,
uma olfação mais apurada e estaremos tomando uma excelente
medida profilática contra o resfriado comum, o qual poderá
acarretar outros problemas graves, como a amigdalite, a laringite,
a sinusite e a bronquite. Conforme afirma o Dr. Pyle (A Manual of
Personal Hygiene), um melhor cuidado com o nariz, acrescido, evidentemente,
da higiene generalizada dos outros órgãos, será
um excelente preventivo também contra caxumba, meningite,
paralisia infantil, sarampo, escarlatina, gripe, tuberculose, difteria,
etc.
A obstrução nasal, além de dificultar a emissão
de sons, a identificação de odores e a respiração,
pode causar também distúrbios no conduto nasolacrimal
e nas funções auditivas. O paladar é prejudicado.
Processos iniciados na mucosa nasal podem provocar inflamação
nas pálpebras e nos ouvidos. A obstrução das
fossas nasais pode ainda dificultar a digestão, face à
ingestão de ar pela boca juntamente com os alimentos.
As afecções nasais comuns, tais como os pólipos
e as adenoidites (carne esponjosa), que acabam originando problemas
fisiológicos, podem ser facilmente prevenidas se dermos uma
pequena e regular atenção ao nariz interno.
Tratados do yoga afirmam que, das duas narinas, partem condutos
sutis (nadis) importantíssimos que têm íntima
correlação com o sistema nervoso (Sivasamhita III;
Yogabhaskara, mencionada no Yogacintamant II; Gherandasamhita V,
e Upanishads).
No que concerne à parte fisiológica do YOGA, afirma-se
que a obstrução de uma das narinas reage desfavoravelmente
no ciclo de energia do indivíduo porque a harmonia entre
as correntes eletromagnéticas negativa (Ida) e positiva (Pingala)
fica perturbada. Isto afeta a temperatura, o pulso e, portanto,
a saúde, prejudicando o pensamento e a concentração.
No Ocidente, o meio mais conhecido para desobstrução
das fossas nasais é o emprego de descongestionantes (vasoconstritores),
geralmente à base de efedrina ou bezendrina, que provocam
a constrição das pequenas artérias superficiais
que se dilatam. A duração do efeito é limitada
a duas ou três horas e há necessidade de se repetir
a aplicação para se manter o descongestionamento.
Essa repetição pode significar um excesso de uso desses
vasoconstritores que, produzindo a insuficiência de irrigação
sangüínea, poderão alterar gravemente a mucosa.
Poderá ocorrer mesmo a necrose desses tecidos com danos irreversíveis.
É recomendável, portanto, que o uso desses descongestionantes
seja feito exclusivamente sob prescrição médica.
Por outro lado a ducha nasal não interfere perigosamente
na circulação sangüínea, e sua repetição
freqüente é inócua.
O Jala Neti deve ser praticado pela manhã e à noite,
quando também fazemos a higiene bucal. Depois de um estafante
trabalho mental, a ducha nasal, acompanhada de exercícios
respiratórios tem um grande efeito restaurador, acalma a
mente e o sistema nervoso. |
| |
|